Estava correndo em disparada, finalmente tinha conseguido distrair a multidão exaltada e conseguido me esconder em um beco escuro, mas não sabia por quanto tempo este esconderijo duraria! Tirei o astrofone do meu bolso depressa, enquanto discava os números da central, trêmulo de medo de ser pego, digitando errado umas duas ou três vezes pela pressa e nervosismo.

Tínhamos estudado tanto para fazer o contato com os humanos, parecia tudo tão certo! Eles também possuem grande apreço por bebidas feitas de malte, também gostam de chutar esferas rumo a arcos metálicos – e é uma prática religiosa universalmente aceita, pelo que pudemos verificar – e dão grande importância a construções metálicas. Gostaríamos de compartilhar sua tecnologia e sua cultura, fora que o culto da esfera sem dúvidas animaria nossas terras de Xzloh, tão sedentas da fé verdadeira.

“Éon Telefonia, ao seu lado por toda galáxia! Disque 01 se deseja ser atendido em Flush, disque 02 se deseja ser atendido em Pzitarni, disque 03 se...”.

Disquei rapidamente o número 15 antes que a gravação pudesse se desenrolar totalmente.

“Éon Telefonia, é um prazer a sua companhia! Disque 01 se deseja consultar o seu saldo, disque 02 se deseja saber qual é sua posição no quadrante galáctico, disque 03 para contatar a Base mais próxima...”

03! 03! 03! Minha vida dependia disso!!!!

“Essa função não está disponível neste planeta. Éon Telefonia, ao seu lado por toda galáxia! Disque 01...”

Nããããão!!! Por que isso estava acontecendo comigo? Por sorte, não conseguia ouvir a voz de nenhum dos meus perseguidores, mas não havia tempo a perder! Disquei 99 para conversar com o atendente.

“Éon Telefonia, com quem eu falo?”

- Por favor, eu preciso de um contato com a base Xzloh mais próxima do planeta 1525!

“Um momento, senhor, estaremos processando a sua solicitação!”

Não havia tempo a perder! Já podia ouvir os gritos das pessoas ao meu encalço, enquanto tentava equilibrar o astrofone. Por que o maldito atendente precisava demorar tanto? E não entendi também por que houve um erro tão grande em nossas avaliações preliminares dos humanos! Em Xzloh, é uma demonstração de educação partilhar a cama com a esposa de um amigo, por que os humanos acham isso tão ofensivo? Isso é uma prova de amizade! Também não entendi por que as esposas ficaram tão nervosas quando descobriram que partilhei a cama de mais de uma delas, é um comportamento tão comum, por que esse melindre todo?

“As novas tarifas da Éon Telefonia serão válidas a partir do novo ano cósmico! Confira na agência mais próxima as novas regras!”

Maldição de atendente, eu estava com pressa! Era uma questão de vida ou morte, mesmo!

“Desculpe, senhor, mas a função de rastreamento não está disponível para o seu plano. Assine agora o Plano Éon Muito Mais e...”

Deixei o atendente falando sozinho, enquanto desligava o astrofone e me preparava para correr. Grande coisa um plano novo! Agora eu precisava mesmo sobreviver!

F I M

2 comentários:

Leo Carrion disse...

Gostei muito, engraçado. Tá bem escrito tb, fiquei com dúvida sobre algumas frases serem do narrador em primeira pessoa ou de pensamentos literais dele. Talez fosse melhor travessões para todos diálogos, aspas para todos pensamentos e o resto seria narração na primeira pessoa. Mas tá excelente, parabéns!

Felipe disse...

A estrutura narrativa está muito boa, mantém uma boa tensão ao longo da leitura. Só acho que você investiu muito na piada da atendente ( ou atendimento automático ), muito batida.
Outra coisa, ainda se "disca"?

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