540 Palavras


"Um dia estafante" pensava o professor Isaac enquanto percorria no velho Chevy52 os quinze quilômetros entre a faculdade e sua casa pela estrada rural Old-Oak. Mal sabia ele que era atentamente seguido e que em breve teria o destino do mundo em suas mãos.

“É meia-noite e Margareth ficou me esperando com o jantar esfriando. Certamente foi dormir magoada.” pensou enquanto levava o carro pelo caminho de terra até a garagem, curiosamente sentindo que o cansaço se desvanecia.

“Vou escrever um pouco antes de dormir. Walter quer uma nova estória espacial até sexta-feira para publicá-la na revista deste mês. Afinal é bom que Margareth esteja dormindo.”

Não havia vizinhos próximos e após o motor ser desligado os únicos sons eram do vento nas árvores e o ressonar da harpa-eólica pendurada no alpendre por Margareth.

Isaac fechou a porta da garagem e caminhou sobre a relva orvalhada com sua maleta e casaco dobrado no braço. Apesar de o vento ser prenúncio de mudança de clima a noite não tinha lua, escondida atrás das nuvens.

Assim Isaac foi pego de surpresa quando uma luz muito forte surgiu por entre a densa camada de nuvens. Pensou que era a lua, mas a luz era muito intensa. Depois imaginou que um helicóptero estivesse pousando, mas não havia qualquer ruído de motor.

O homem continuou imóvel com a maleta segura em uma mão e o casaco dobrado no outro braço, até que a nave espacial terminou de pousar.

Era grande, cilíndrica e com luzes por todo o casco. Pousou sobre pés flexíveis que afundaram centímetros na grama, antes de desenrolar uma rampa pela qual desceram três figuras de dois metros de altura com aparência arbórea. Moviam-se sobre pés tentaculares que Isaac associou a raízes. Seus braços, se é que eram braços, estavam na parte superior de troncos retos, rugosos e flexíveis. Os seres tinham surpreendente velocidade e logo cercavam o homem parado, boquiaberto e impossivelmente calmo.

“Viemos consultá-lo, oráculo” - disseram em sua mente.

“Meu nome é Isaac e sou um simples professor de biologia. Não sou um oráculo.” - respondeu o homem.

“Sabemos quem és. Pagamos uma alta taxa de consulta aos proprietários Ignovianos. Esperamos muito por isso.”

“Quem são Ignovianos? Aqui é a Terra e os terráqueos são donos do planeta.”

“A raça dos Ignovianos é proprietária deste setor da galáxia. Este planeta seria devorado e por isso tivemos que negociar com eles por um ciclo, dez de seus anos, para que você sobrevivesse. Concederam-nos outro ciclo para isso, ao final teremos que devolver o planeta ou comprá-lo para nosso uso.”

“Quem são vocês?”

“Somos Araucarianos, uma raça pacífica que vive neste braço da galáxia. Temos um acordo com os Ignovianos para estudar cientificamente qualquer planeta que se proponham a devorar antes que o façam. Foi estudando a Terra que encontramos seus “livros” e descobrimos que és capaz de profetizar sobre nosso planeta e sobre a saúde de nosso líder máximo, que está morrendo.”

“Isto é impossível. Estes livros que vocês leram são apenas obras de ficção-científica!”

“Professor, se as informações dos livros não são verdadeiras, não temos motivos para impedirmos os Ignovianos - ou comprarmos a segurança da Terra.”

“Não! Esperem! Eu sou o oráculo.”

“Então venha conosco, professor.”

“Mostrem o caminho, senhores.”

1 comentários:

Abelardo Domene Pedroga disse...

Heheheeh, como mudar de atitude sem ser necessário fazer muita força. Bom texto.

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