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-----Mas, senhor! Eu continuo achando que nós não devemos confiar nesses selvagens. As mensagens do posto avançado descreviam comportamentos, simplesmente, inimagináveis para pessoas civilizadas. Senhor, esses humanos são uns bárbaros.
— Compreendo sua preocupação, Babacar. Mas não podemos nos ater a preconceitos. Você sabe que nem tudo o que é enviado em relatórios é, essencialmente, a verdade absoluta. Existe certa dissonância entre a visão de mundo pessoal de cada um e a realidade coletiva que forma a nossa sociedade, e a deles. Você deve levar em conta que um relatório é apenas uma das várias visões pessoais que vão nos levar a entender a realidade e, com relação a toda a sociedade, é apenas uma fração ínfima do que se tornará o senso comum. Temos que nos ater apenas aos fatos e não às visões pessoais de quem quer que seja. Ainda mais quando não temos opiniões suficientes para desenvolvermos um concenso. Seria prematuro, se não bárbaro, ignorarmos este fato. Não concorda comigo, Babacar?
A fala do superior deixou o jovem oficial sem palavras. Muito verde ainda, pensava o comandante. Aquela missão não poderia ser prejudicada por pensamentos infantis. Era importante demais. As vidas de 17 compatriotas estavam em jogo. Nada poderia afetar o sucesso da missão. Se isso significasse decomissionar Babacar, era o que ele iria fazer.
A saída de do jovem oficial devolveu o silêncio à pequena cabine. Nas mãos do comandante, os relatórios enviados pelo posto avançado. Toda a informação existente sobre os humanos. Nada muito elaborado. Apenas algumas observações do comandante da missão sobre os primeiros dias da expedição. Nenhuma informação referente ao primeiro contato ou sobre o modo de vida dessa raça. Apenas poucas observações feitas por alguns batedores e trivialidades do acampamento. Enfim, nada que fosse proporcionar uma vantagem nas negociações com os humanos. A leitura se mostrou um esforço inútil.
Há um mês sem notícias do posto avançado, a missão consistia em descobrir o motivo da interrupção nas comunicações e se possível realizar o primeiro contato com os humanos. O Conselho tinha determinado extra-oficialmente que o primeiro contato fosse realizado a qualquer custo, lembrando polidamente que se as relações com os humanos fossem desfavoráveis cabeças poderiam rolar, e isso era algo que o Comandante Hullbar tentaria evitar. Afinal, ele gostava muito da sua cabeça onde ela estava agora, grudada no seu pescoço.

Quando a nave sobrevoou a cidade-estado, o pânico foi imediato. Uma profusão de pessoas corria para todos os lados tentando se esconder daqueles seres demoníacos. As tropas ergueram escudos e lanças e se puseram em marcha. Em pouco tempo as falanges estavam posicionadas e esperavam às portas da cidade.
Quando a poeira baixou, a imponente nave ocupava grande parte do descampado que se estendia ao largo da face sul das muralhas. De uma abertura no centro da enorme estrutura surgiu uma rampa que começou a deslizar até o chão. Então, Hullbar surgiu imponente, no alto de suas quatro pernas, segurando o cetro de Comandante em suas mãos.
Antes mesmo de conseguir falar qualquer coisa, uma flecha atravessou sua garganta e os humanos avançaram contra a nave aos gritos de “Matem os Centauros! Destruam todos eles!” Seu último pensamento, enquanto era trespaçado por duas espadas ao mesmo tempo, foi uma indagação: Como os humanos sabiam de qual sistema estelar eles tinham vindo?

10 comentários:

Aguinaldo disse...

- a idéia é boa, mas você deveria ter usado apenas o ponto de vista do comandante, causaria um impacto maior...
- você exagerou no inicio, muito discurso para pouca informação, e o final ficou corrido...

Ana Lúcia Merege disse...

Bom... Confesso que, ao ver um personagem chamado Babacar, fiquei esperando um conto humorístico.

O início foi muito longo para a conclusão - deixou aquela ideia de "é só?".

E, por fim... como os humanos sabiam de onde eles tinham vindo? Eu não consegui saber.

ABELARDO disse...

Bom também fiquei sem saber como os humanos sabem de onde os centauros vieram. Aliás estou sem saber até agora. O conto é bem escrito, uma história interessante e parece ambientado na Antiguidade Clássica, e na Grécia (a citação as falanges deu uma boa idéia disso). De qualquer forma me agradou, essa mistura de Fantasia com FC é por demais interessante e neste caso funcionou bem.

Alvaro disse...

Muito bom o conto. Bem escrito e interessante. Ao contrário do Abeelardo eu entendi de onde vieram os centauros... da Constelaçao do Centauro, uai! Mas taí um belo exemplo da sindrome do "alienígena do Kansas". Por que todo mundo fala inglês nesta galáxia (no caso do conto, português. Daí seria a sindrome do alienígena carioca)? E ainda dá os mesmo nome para planetas, estrelas e constelações...

Marcelo L. Bighetti disse...

A idéia no geral é boa mas a missão de fazer contatos com os humanos ficou sem explicações. Por que os centauros tinham de fazer contato a todo custo?

Bruce Leo disse...

Eu gostei muito da sua observação final, muito inteligente e me regojizou por tê-lo lido até o final.
Minha crítica seria sobre a parte inicial. O discurso do comandante e o personagem do comissionado verde são um pouco sem propósito. Ainda mais que as missões de reconhecimento foram inúteis e na abordagem da nave o jovem oficial não desempenhou nenhum papel relevante.

DanielFolador disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
DanielFolador disse...

Não gostei da discussão inicial, onde se falou muito e se disse pouco. Como o discurso é necessário (serve pra dar o contraste entre o que comandante achava e o que aconteceria), seria melhor enxugá-lo mais.

Percebi problemas na pontuação e repetição de termos. Em um dado momento, aparecem inúmeras frases que não se encadearam entre si. Uma vírgula ou um advérbio deixaria a leitura menos cansativa nesse trecho:

"Toda a informação existente sobre os humanos. Nada muito elaborado. Apenas algumas observações do comandante da missão sobre os primeiros dias da expedição. Nenhuma informação referente ao primeiro contato ou sobre o modo de vida dessa raça. Apenas poucas observações feitas por alguns batedores e trivialidades do acampamento. Enfim, nada que fosse proporcionar uma vantagem nas negociações com os humanos. A leitura se mostrou um esforço inútil."

O final do conto foi bem sacado, usou o tema 'centauro' de forma menos óbvia. Mas aí, como o Alvaro disse, os centauros falavam português?

Lucas L. Rocha disse...

O nome Babacar realmente me levou a pensar em uma comédia, mas isso não tira o prestígio do conto. A ideia é muito boa, mas entra naquele mesmo problema do pouco espaço de desenvolvimento. Achei interessante mostrar uma forma de origem extraterrena das criaturas, ficou bastante interessante.

Angela Nadjaberg Ceschim Oiticica disse...

Imaginei que fossem Centauros logo no começo do conto. Não gostei do nome Babacar como não perdoo a ignorancia dos humanos quando atacam os Centauros. O conto é bem original e adorei a leitura.

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