550 palavras

Suando, o corpulento e moreno homem limpava cuidadosamente, à fraca luz de uma lamparina, a estranha parede de tijolos cozidos. Acondicionada numa sessão retangular escavada na parede de rocha.
Torcendo intimamente para que a estrutura datasse de antes de Cristo,o arqueólogo Géorgios Kafávis, recentemente aposentado, acalentava com assovios animados a perspectiva de finalmente descobrir algo relevante e que não tivesse sido pilhado da Grécia por invasores no passar dos séculos.
Este sonho bobo, opinião de sua esposa, era a motivação que lhe impulsionava com 65 anos a buscar tesouros, baseado em relatos colecionados durante anos em conversas de taverna e reuniões de colegas de profissão, todos próximos da decrepitude.
Fora então, há poucos dias, que com genuína desatenção ouvira de seu lugar ao balcão, os berros e insultos de um velho dono de bar contra dois garotos. Por terem inutilizado dezenas de talheres.
Assustados com a perspectiva de uma surra, os pobres meninos da miserável região da prefeitura de Magnésia, entre lágrimas, tentavam explicar ao pai que não imaginavam que o “grude” da caverna onde haviam brincado estragaria os talheres, impregnando-os com uma fina camada de pó não lavável.
Interessado no assunto, e penalizado, Géorgios cobriu os poucos Euros de prejuízo em troca de que o rude pai perdoasse os meninos e de que estes o levassem-no ao local, que não tinha dúvidas, tinha magnetita. Minério raro na região, ainda que ela mesma tivesse seu nome em seu tributo.
Da visita descompromissada a caverna, localizada em meio a morros desabitados, à descoberta daquela parede cravada entre os cinzentos cristais octaédricos, foi um pulo.
Duas semanas depois de solitário e calmo trabalho. Estava prestes a terminar a limpeza da última seção exposta de tijolos não protegida por lona.
- Finalmente! Disse sentando-se e secando a testa com um lenço. Aumentou a luz da lamparina, única opção devido ao fortíssimo magnetismo local, que destruía todo equipamento elétrico. Puxou delicadamente a lona presa a parede.
Em pé, majestoso, pode visualizar em preto, destacando-se dos tijolos enegrecidos pelo tempo. Um grande centauro, carregando estranhas armas e sendo acertado por um raio.
Sentiu o prazer de um sonho realizado. Leu as palavras escritas na pedra. Um aviso para que a parede não fosse retirada e o presente de Zeus preservado.
Ignorou-o. Não havia espaço para religiosidades idiotas no mundo científico. Lembrou-se fugazmente que estava na região da Tessália, lar mitológico dos centauros. Sorriu.
Amanhã receberia ex-alunos para ajudá-lo, teria a parede removida. Dormiu ali mesmo.
Às dez da noite do dia seguinte os últimos tijolos haviam sido meticulosamente retirados. Atrás, uma pilha de pedras prendia-se a uma grande estátua de bronze.
Transportaram a estátua para fora. E noite adentro a limparam do pó e pedras estranhamente agarradas, visto bronze não ser magnetizável.
Ao nascer o sol os homens comemoraram, estava intacta e perfeitamente preservada. Não tiveram tempo para muito mais coisa. Em instantes ela desmontou-se ruidosamente, saindo de seu interior oco um imenso robô de quatro patas e busto com longas armas. Ficou estático por alguns segundos e em seguida matou a todos, ainda paralisados de surpresa e confusão. Duas horas depois, a NASA captaria movimento no lado escuro da Lua e objetos não identificados, até então enterrados, vindo em direção a Terra. Destino? Principais capitais. Géorgios encontrara algo relevante, mas não para a “arqueologia”.

9 comentários:

Aguinaldo disse...

- a historia é interessante, mas você exagerou nas informações e na ‘invasão’ final, a não ser que você desenvolva algo maior como uma novela...
- as passagens mais importante ficaram muito resumidas, tirando lhes o impacto...

Marcelo L. Bighetti disse...

Dalton, gostei muito da história, mas achei o final meio "atropelado".

Alvaro disse...

Taí um bom "rascunho".

Alvaro disse...

P.S.: De algo maior. A Idéia é boa e merecia ser mais explorada.

Bruce Leo disse...

Gostei. Necessita alguma revisão na pontuação, e repensar um ou outro detalhe. Mas uma coisa... Kaváfis disse que os bárbaros não viriam!!! hahahaha

O que esperamos na ágora reunidos?

É que os bárbaros chegam hoje.

Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?

É que os bárbaros chegam hoje.
Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.

Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?

É que os bárbaros chegam hoje.
O nosso imperador conta saudar
o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.

Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos
de ouro e prata finamente cravejados?

É que os bárbaros chegam hoje,
tais coisas os deslumbram.

Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?

É que os bárbaros chegam hoje
e aborrecem arengas, eloqüências.

Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?

Porque é já noite, os bárbaros não vêm
e gente recém-chegada das fronteiras
diz que não há mais bárbaros.

Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! eles eram uma solução.

DanielFolador disse...

O conto é legal, com um final inesperadamente de ficção científica, mas exatamente nesse final houve atropelo nas cenas. Sugiro tbm rever a pontuação.

Marcel Breton disse...

Bacana mesmo, com um bom final. Como disseram os colegas, vale uma revisão na pontuação e um pouco mais de descriçoes no ultimo paragrafo. Deu para ficar pensando na aparencia que teria o robo...

Lucas L. Rocha disse...

O conto tem uma narrativa muito enxugada para 550 palavras. Merecia um desenvolvimento maior e uma revisão, como todos já disseram.

Sinceramente, não gostei muito do final. O leitor é guiado durante todo o tempo para uma fantasia e no final o que temos é uma ficção científica. Para o espaço tão curto de palavras, não foi uma virada muito interessante.

Angela Nadjaberg Ceschim Oiticica disse...

Já houve tantos comentários...Gostei do conto, pelo menos da assustadora ideia.

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